Da arte da fuga

Levava sapatos vermelhos e um desejo de seda que desenrolou colina abaixo pouco antes de regar a casa com gasolina e fumar o último cigarro. Caminha lenta. Por detrás, o incêndio: as chamas que engolem o espaço dos passos já dados. O que nunca soubeste – à fuga sobrepõem-se o fogo.

Caminho lenta. Caminho sol veias adentro enquanto me crescem raízes nas articulações dos dedos,

nada é novo,

tudo é último, enquanto a noite me desce sobre as pálpebras até ao espaço quieto em que não mais te direi; que é de mim o nome que se consome ou a pele que te é corpo e sobre a qual caminho vidro aceso, tempestade de metal. E o som, ínfimo, da voz que te diz – amanhã já não.

A mesma que te acende os pulsos à hora mais alta do grito – o irresistível que te há-de persistir no gesto. Esse a que não poderás fugir. Por não ser de ti a arte de bem arder.

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