azul

Um louco senta-se ao meu lado. Fala-me da vida e da pouca vontade com que asperge os pulmões congestionados com um pouco mais de morte. Lembra-me um outro que me falava da semente, do nosso próprio fim crescendo-nos no peito até que as folhas despontem no fim dos pulsos. Ou a minha avó, ao acordar, cansada, chamando o meu pai porque a morte, a morte, é um vento que nos puxa pelas costas quando nos sentamos à margem da cama. Biografo-me a cada dia. Rebiografo-me. À velocidade que é, diz-me o homem de estetoscópio, – de Ferrari. O ressoar pouco sinfónico do coração que me empurra a respiração. Cada sopro num mergulho, numa forma de afogamento que toma por água qualquer elemento, qualquer rosto. Não me recordo de quando me disseram da morte. Sou biograficamente, intimamente, azul, ainda que desenhe figuras curvilíneas com o olhar ao parar casualmente sobre os teus lábios. O meu próprio fim. Este que se reinventa em frases partidas só pelo gosto de beber de um parágrafo a parte da história que aqui se não conta.

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