terra

Já não nego lume, nem sapatos. E se me pedem por um pouco de terra puxo do bolso um nome há muito sepultado, por ser dele, as asas que me sustem ainda a respiração ao estende-la à janela. Junto as meias e lençóis que parecem crer mais na verticalidade da queda do que na minha habilidade para a salvação. Se me chamam – e não sei porque me chamam – prendo entre os dedos as linhas do meu nome, os fios mais finos do meu cabelo onde já não soam sinos, e envolvo-o entre as algas que discretamente deram à costa entre os meus pulsos; antes ou depois de me salgarem, uma e outra vez, os lábios. Onde, sem esforço, prendo rostos como estrelas por me ser da boca a cosmogonia mais perfeita deste ser-se nome em silêncio – mão fechada.

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